Realizou-se ontem o Upload Lisboa 2.0, um evento focado na discussão e troca de ideias sobre a web 2.0. O Upload Lisboa contou com cerca de 250 visitantes e muitos oradores, que falaram essencialmente da evolução da web (social) e da sua relação com as empresas.

A grande estrela do evento não foi nenhum dos oradores nem foi nenhuma das apresentações. Nem sequer foi o Facebook, a rede social mais falada por todos. O grande vencedor foi o Twitter, que esteve permanentemente à vista de todos, num segundo ecrã gigante, à esquerda dos oradores.

Agora imaginem o que é estar a ver uma apresentação e poder comentar em tempo real num ecrã que toda a plateia pode ler (e responder). Tudo pode acontecer, e quase tudo aconteceu! Desde comentários do tipo “Vou contar até 3 e espreguiçamo-nos todos ao mesmo tempo” até à divulgação de links relacionados com o que está a ser apresentado nesse momento, foi uma verdadeiro festival de Twitter. Podem rever aqui.

Outros assuntos recorrentes do Upload LX: Farmville, Gato Fedorento e pela negativa, Fernando Alvim.

Networking

Como já estou farto de dizer, o melhor destes eventos é o networking entre os profissionais do sector. Ao vivo e a cores, não via Twitter ou Facebook. Desta vez conheci o Nuno, administrador do fórum Mais Tráfego, o Rui Nunes e o Tiago Pereira, ambos da Canalmail.

Conhecer pessoalmente os nossos parceiros profissionais da web é um passo importante para ter aquele “tratamento VIP” que aflige muitos webmasters. Aconselho vivamente quem leva o seu negócio como webmaster a sério, a comparecer nestes eventos e apresentar-se aos seus colegas.

Os oradores

Vou então falar um pouco do que vi ao longo do dia. Não é uma análise exaustiva, é apenas o que me ficou na memória.

Ricardo Teixeira foi o primeiro a falar. Talvez por causa do atraso considerável, talvez por ter sido o primeiro de muitos, não me recordo do que disse. Paciência.

Luís Rasquilha prometia revelar as tendências mais actuais da web. Começou logo por anunciar “em primeira mão” a web 3.0 ! Infelizmente deixou bem claro que o tipo de informação realmente útil é bem paga e não pode ser oferecida em conferências públicas. O resultado foi uma apresentação divertida, onde ficou claro que o Luís Rasquilha é um expert na matéria, mas com pouco conteúdo palpável. Via Twitter, o Luís disse que em 15 minutos não podia fazer mais.

Armando Alves trazia uma excelente apresentação, que só pecava por ter sido feita exclusivamente em inglês. Se os seus OBNIs não conquistaram a plateia, a referência a Mister Spock emocionou todos os geeks presentes (e não eram poucos).

Seguiu-se o momento stand-up comedy do evento. Rodrigo Moita de Deus, célebre por se ter vestido de Darth Vader e ter colocado uma bandeira monárquica na Câmara Municipal de Lisboa, foi o orador mais divertido. Apesar de considerar algumas das ideias do Rodrigo simplesmente estúpidas, há que admitir que também tem muitas ideias válidas e que sabe passa-las com um sentido de humor apurado.

Sérgio Bastos leva a referência mais negativa do Upload LX. Um pequeno orador, falou sobre pequenas e médias empresas, sentado, quase sussurrando e com a mão à frente da boca. A animação na twitter wall foi inversamente proporcional ao interesse nas palavras do Sérgio. Só por isso ninguém adormeceu.

Depois de tamanho bocejo colectivo, Filipe Carrera entrou em cena e levou duas salvas de palmas só pelo facto de falar alto e de pé. Apesar de interessante, a apresentação nunca conseguiu superar esse impacto inicial. A frase que fica marcada é “quando quero ver o futuro não olho para vocês, olho para os meus filhos (de 8 anos)”.

Daniel Caeiro e Flávia Paluello explicaram-nos como a sua empresa gere a presença de outras empresas nas redes sociais. Foi relativamente interessante e levantou alguma polémica com um exemplo prático de marketing de guerrilha. Basta dizer que envolveu a criação de 30 perfis falsos no Hi5, com o objectivo de promover o MySpace – algo claramente contra os termos de qualquer rede social. É um truque que imagino um webmaster individual a fazer, mas que uma grande empresa deveria evitar. Falou-se muito da transparência como algo essencial para ter sucesso na web social, o Daniel tentou vender exactamente o contrário com as suas tácticas de guerrilheiro virtual.

Já no final do dia, Fernando Batista falou sobre o ser social, e confesso que aproveitei para desligar um bocado do que ele esteve a dizer. Estaria já cansado, ou não tinha mesmo muito interesse?…

Seguiu-se Vasco Trigo, um excelente jornalista e comunicador. Como disse alguém no Twitter, foi como assistir ao 2010 ao vivo. Ficámos todos nas nuvens.

A maior celebridade do Twitter luso teve a honra de fechar o evento. Paulo Querido apresentou a sua noção da web liquida, uma maneira mais criativa de dizer web 3.0. Para isso recuou no tempo e deu-nos a sua visão da evolução da internet ao longo dos tempos. Não aprendi nada de extraordinário, mas foi agradável e visualmente foi muito original – apenas palavras brancas que se sucediam num fundo negro, enquanto Paulo Querido explicava o seu significado.

A organização está de parabéns pelo excelente evento que conseguiu organizar, mas fica aqui uma sugestão. Decidam qual é o nome do evento e sejam coerentes. Afinal é Upload Lisboa, Upload 2.0 Lisboa, Upload 2.0 meeting, Upload LX, ou o quê?… Pensem nisso. Para o ano, espero que haja mais.

Auto promoção

Paulo Querido foi o único orador que parou várias vezes de falar, para ler o que estava a ser escrito no Twitter. Esse facto mereceu alguns comentários (meus) que fizeram a plateia soltar umas boas gargalhadas. As minhas mensagens no Twitter, ao longo de todo o evento, não foram inocentes. A verdade é que no final do dia tinha mais 15 seguidores no Twiter, e se calhar, mais alguns leitores no blog. É claro que podia ter colocado o endereço do blog no Twitter para todos verem directamente, mas aí estaria apenas a passar a imagem de spammer.