Jan
26

A esquizofrenia da Google volta a atacar

Publicado em Adsense, SEO por



A esquizofrenia da Google volta a atacar

Na semana passa o famoso engenheiro da Google, Matt Cutts, anunciou uma nova alteração ao algoritmo de busca que penaliza os sites com demasiada publicidade above-the-fold.

Isto quer dizer que os sites que enchem a parte superior das páginas com anúncios e obrigam o utilizador a descer para encontrar algum conteúdo, vão ser penalizados pelo novo algoritmo. O motor de busca Google pretende melhorar a experiência do utilizador e facilitar o acesso rápido ao conteúdo relevante para a pesquisa realizada.

É claro que hoje em dia é muito difícil dizer o que é above-the-fold, com a variedade de ecrãs de dispositivos móveis que acedem à web e representam uma grande fatia dos utilizadores.

Se sentires que um dos teus sites foi afectado por esta mudança, deves reduzir a quantidade de anúncios no topo das páginas e esperar algumas semanas para o Googlebot processar o novo layout.

Até aqui, parece que a Google continua a trabalhar com o objectivo de termos uma internet mais acessível e uma pesquisa mais eficaz. Mas porque é que o resto da empresa age de forma completamente oposta?

Mensagem do AdSense

Quem tem conta no Google AdSense deve ter recebido muitas mensagens como aquela que eu recebi também na semana passada.

Estas mensagens são enviadas a todos os webmasters que usam menos do que 3 blocos de AdSense por página (o máximo permitido) e afirmam que estamos a perder dinheiro se não colocarmos o máximo de anúncios. Também aconselham a usar os maiores formatos que existem (336×280, 300×250, 728×90 or 160×600) e ainda a escolher locais de destaque na página. Assim, ganharemos mais dinheiro.

Se olharmos para a sugestão do Google AdSense para escolher onde colocar estes 3 blocos, vamos que as posições acima do conteúdo são altamente recomendadas. E a partir de agora, um site que siga estas recomendações, está sujeito a ser penalizado pelo Google Search.

Eu já estava habituado a ser pressionado pelo AdSense para colocar anúncios que geram mais dinheiro e ao mesmo tempo ser advertido pelo mesmo AdSense por integrar esses anúncios “demasiado bem”. Agora também posso ser penalizado no SEO por seguir as dicas deles.

Há muito tempo que eu ignoro estas mensagens “personalizadas” que são completamente esquizofrénicas, mas recebe-las no mesmo dia em que o algoritmo passa a penalizar o excesso de publicidade é o cúmulo.

Anúncios no Google Search

Mas será que o próprio Google Search segue estes critérios de protecção da experiência do utilizador? Será que quando pesquisamos algo no Google existe a preocupação de não colocar demasiados anúncios above-the-fold e de não empurrar o conteúdo relevante para baixo?

Acho que todos sabemos a resposta…

Neste caso podemos ver um enorme bloco de AdWords no topo da pesquisa e mais anúncios sem fim do lado direito. Se fizerem esta pesquisa num iPad, só vão ver um resultado orgânico above-the-fold e sete anúncios! E os anúncios são quase idênticos aos conteúdo, algo que o AdSense não permite.

Claramente as regras e a boa experiência de navegação só contam para os outros sites, não para o Google-todo-poderoso.

Mas há pior, quem pesquisa nos Estados Unidos pode obter este género de resultados:

Claramente a Google está a passar a mensagem “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”.

E os overlays?

Se a Google continuar a tentar limpar a web através de penalizações nos SERPs, será que os sites com overlays serão os próximos a ser atingidos? Afinal, um overlay por cima do conteúdo dificulta ainda mais o acesso do que anúncios no topo da página.

É sabido que muitos sites (incluindo o Web Milionário) usam overlays para captar registos e também que os grandes sites vendem publicidade desta forma.

O que fazer agora?

Apesar das contradições, o melhor para os webmasters e para a web em geral é não abusar dos anúncios e não dificultar o acesso ao conteúdo do site. É um facto que vamos receber menos cliques, mas evitamos penalizações e oferecemos uma experiência melhor aos nossos visitantes.

Infelizmente a Google nem sempre segue as suas próprias regras, mas eles podem dar-se a esse luxo, nós não.

Webmaster, empresário e blogger, entre muitos outros títulos possíveis. Aos trinta e poucos anos, Fernando Amaral trabalha a tempo inteiro na internet, sem horário e sem patrão.




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