Entrevista Com Pedro Dias

by / Thursday, 28 January 2010 / Published in Entrevistas, SEO / comentários

O Pedro Dias é responsável pelo Pesquisa de Qualidade para mercados de língua portuguesa na Google. Isto quer dizer que o Pedro tem o poder (e o dever) de supervisionar os resultados da pesquisa e garantir a qualidade, aplicando as tão temidas penalizações, entre outras coisas.

Devido às suas funções e à comunicação constante com os webmasters, há quem lhe chame o “Matt Cutts português“.

Embora seja algarvio de gema, o Pedro Dias trabalha na Irlanda, no quartel-general da Google na Europa. Algures no meio das suas tarefas, o Pedro conseguiu encontrar tempo para responder às minhas questões.

Olá Pedro. O ambiente de trabalho na Google é tão fantástico como ouvimos dizer?

Obrigado pelo interesse em entrevistar-me.
Sim, eu diria que o ambiente de trabalho na Google é único e um constante desafio, mas, ao mesmo tempo, extremamente recompensador. A minha analogia preferida é, tal como referi uma vez, “O Google é como uma passagem secreta para o futuro”, o que representa ainda a minha visão! Estou na Google há cerca de 4 anos (em Março) e, desde o primeiro dia, percebi e aprendi que o melhor não é apenas a comida, os gadgets e as viagens mas sim o verdadeiro espírito de equipa e amizade, de poder estar rodeado de colegas e amigos e de ver como estes estão sempre dispostos a ajudar… Também é fantástico falar com o Larry ou o Sergey de vez em quando :P

Não achas que ultimamente a Google se tem tornado demasiado poderosa, controlando mais informação do que é aconselhável?

O nosso sucesso como empresa vem da inovação e liderança de produtos—e o conhecimento que adquirimos, levou-nos até onde estamos devido aos nossos utilizadores. Como tal, os nossos produtos são sempre desenvolvidos com o foco no utilizador, e de um modo a dar-lhes o controlo. Por exemplo, recentemente lançámos o Google Dashboard, um lugar onde—em nome da transparência—os utilizadores têm controlo sobre a sua informação no Google. O Google também torna bastante fácil exportar e-mail ou as feeds subscritas para onde o utilizador quiser caso assim o deseje. (visitem www.dataliberation.org para saber como podem retirar a vossa informação dos nossos produtos).

Como vês a concorrência recente do Bing? Pode ser positiva para o desenvolvimento do próprio Google?

Concorrência é saudável em qualquer mercado. Na Google, nós gostamos de competição porque mantém-nos alerta e faz-nos produzir novas ideias e soluções inovadoras de que as pessoas gostam. No fim, o nosso objectivo é a satisfação do utilizador, e nós sabemos que as melhores ideias e soluções surgem quando existe uma competição saudável.

O que achas da comunidade de webmasters e SEOs em Portugal? Estamos ao nível do que se faz lá fora?

Eu diria que Portugal está no caminho certo! :)
Existe uma excelente infraestrutura no que toca a Internet de banda larga, mas existe também uma enorme necessidade de informação e formação sobre a Internet e sobre como tirar o máximo partido dos serviços on-line. Portugal tem estado um pouco distante da média Europeia em relação aos negócios on-line e às oportunidades do mercado, e ainda há um longo caminho a percorrer até Portugal chegar ao mesmo nível de outros países mais maduros como a Alemanha, França ou Espanha. Por outro lado, existe um enorme número de oportunidades para os webmasters Portugueses, e está nas vossas mãos, como webmasters, sensibilizar o mercado e criar essas oportunidades de negócio na Internet.

Procurei por “entrevista Pedro Dias” no Google e constatei que tens falado mais com brasileiros do que com portugueses. Há mais interesse por estes temas no Brasil do que em Portugal?

Estar on-line é um tópico em todo o lado, mas é claro que existem diferenças entre a população cibernética. Por exemplo, apesar de Portugal ter 42% da população on-line, em contraste com 34% no Brasil, a maioria dos internautas brasileiros tem um site ou blog, enquanto em Portugal o número de internautas com um site próprio é significativamente menor. Todavia, ambos os mercados necessitam de um maior número de conteúdos on-line de qualidade quando comparados com mercados mais desenvolvidos. Por volta de Outubro de 2008 numa entrevista ao Meio Bit, abordei o problema da quantidade vs qualidade do conteúdo on-line no mercado de língua portuguesa e de como os webmasters devem tentar elevar esses números.

Como é que vês os profissionais de SEO em geral? São parceiros de uma mesma indústria, ou adversários numa luta pelo controlo dos SERPs?

SEO é algo que pode ser extremamente benéfico quando implementado correctamente. No Google avaliamos SEO numa perspectiva ética/benefício. Por exemplo, se pensarem em SEO como uma maneira de se tornar a informação mais acessível para os utilizadores, é mais ético e benéfico do que pensar em SEO como um modo de tentar manipular resultados de pesquisa e enganar os motores de busca. Um SEO pode ser um verdadeiro aliado tanto para o Google como para o mercado se o seu trabalho for ético e benéfico para o utilizador.

É mais comum encontrarem sites a violar as regras do Google através do vosso trabalho ou das denúncias dos próprios utilizadores?

Recebemos muita informação útil de ambos os lados. Obviamente não posso comentar números, mas há bastantes utilizadores com uma intuição muito boa em como submeter uma denúncia de spam. Por outro lado, temos também de filtrar as que não são tão úteis. Mas fazemos sempre os possíveis para analisar todas as denúncias de um modo rápido e eficaz.

Ao penalizarem sites relevantes por infringir as regras (troca de links, por exemplo) fazendo-os cair para fora dos resultados visíveis, não estão a prejudicar também os vossos utilizadores que procuram informação relevante?

A nossa intenção consiste em representar o conteúdo da Internet de um modo relevante e justo. Queremos assegurar-nos que cada web site, independentemente de ser grande ou pequeno—quer seja um blogue pessoal, um portal governamental ou um negócio de família—, pode ter o seu web site apresentado ao grupo certo de utilizadores. Para atingir este objectivo oferecemos e implementamos o mesmo conjunto de directrizes para todos os sites. Isto ajuda-nos a manter um nível de igualdade para todos no nosso índice que, por sua vez, ajuda a manter os nossos resultados de pesquisa relevantes e confiáveis para os utilizadores.

Um dos conselhos recorrentes do Google aos webmasters é que “façam as coisas como se os motores de busca não existissem”. Isto não vai contra a própria existência de uma comunidade de SEOs?

As pessoas podem ser inteligentes sobre como tornar conteúdo acessível aos motores de pesquisa sem o abuso de palavras-chave ou a compra e venda de links. Existem SEOs que pensam que o trabalho deles é enganar os motores de busca com estes tipos de técnicas, e existem os SEOs que ajudam os seus clientes em tópicos como acessibilidade, arquitectura do site, usabilidade, etc. Nem todos sabem como fazer o último beneficiando ambas as partes—webmasters e motores de busca—logo, existe aqui uma grande oportunidade para SEOs.
Tal como em qualquer outra área, a tecnologia e os recursos podem ser usados de um modo positivo ou negativo. Nós preferimos o positivo :)

O indicador de Pagerank desapareceu das Webmaster Tools. É um sinal para os webmasters se preocuparem menos com o PR?

Sim, os webmasters não devem focar-se somente no PageRank. Afinal, ele é apenas um de entre as centenas de outros factores que consideramos para a classificação de sites nos nossos resultados de pequisa.

Há webmasters que se queixam de terem os seus pedidos de reconsideração ignorados. A vossa equipa tem tempo para analisar todos os casos de sites que foram penalizados e querem corrigir os seus erros, ou a única atitude segura é não os cometer nunca?

Nenhum pedido de reconsideração é deixado por rever, e nós revemos todos os pedidos de reconsideração. Se acha que o seu pedido de reconsideração foi ignorado, isso possivelmente é indicador de um dos seguintes dois factores: ou as mudanças feitas no seu web site não foram suficientes e o seu site ainda está em violação das nossas directrizes de qualidade, ou não tinha qualquer problema desde o começo (para além de não ter o desempenho desejado nos resultados de pesquisa). Muitos webmasters estão convencidos que foram alvo de uma penalização quando realmente não foram, e quando não vêm qualquer tipo de alteração após o envio de um pedido de reconsideração acreditam que estamos a fazer algo errado que está fora do controle deles, quando na verdade, o site está apenas mal construído e não existe penalização.
Existe um artigo muito bom na nossa Central de Ajuda sobre como submeter um pedido de reconsideração(em inglês). Devem também considerar uma visita ao Fórum de Ajuda do Google para webmasters para orientação pois existe ali uma comunidade excelente de webmasters com imenso conhecimento e com grande probabilidade de o conseguirem ajudar.

Imagino que sejas um espectador atento dos concursos de SEO. Descobres novas técnicas que os webmasters usam para manipular os SERPs durante estes concursos?

Nós faremos tudo o que for necessário para assegurar a qualidade dos nossos resultados de pesquisa. Não acreditariam se eu respondesse “não”! :)

É correcto afirmar que cada vez mais os resultados dos SERPs têm uma revisão humana, por cima do algoritmo do Google?

Nós preferimos soluções escaláveis que não necessitam de ajustes manuais e, consequentemente, preferimos colocar o nosso esforço manual na criação de algoritmos poderosos que forneçam directamente resultados de pesquisa relevantes. Como o próprio Matt Cutts referiu quando escreveu sobre o papel dos seres humanos no Google: “Há mais de cinco anos, que permitimos que os utilizadores reportem spam no Google. Há vários anos que dizemos que reservamos o direito à acção manual sobre spam (por exemplo, se alguém digitar seu nome e aparecer um tópico porno como um resultado).”
Podem ler mais sobre a equipa de Qualidade de Pesquisa e aquilo que fazemos num post onde Udi Manber apresentou a equipa de Pesquisa de Qualidade. Existe também um post de continuação.

Muito obrigado Pedro!

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Webmaster, empresário e blogger, entre muitos outros títulos possíveis. Aos trinta e poucos anos, Fernando Amaral trabalha a tempo inteiro na internet, sem horário e sem patrão.

11 Responses to “Entrevista Com Pedro Dias”

  1. Mas que grande entrevista… Pedro dias, sem dúvida alguma um exemplo de uma pessoa a seguir!

    Parabéns ;)

  2. NetFast says : Reply

    Muito boa entrevista, parabens!

    mas fiquei aqui com duas dúvidas que secalhar muitos webmasters têm.

    O google dá preferência no topo das suas buscas a sites relevantes e com bons conteúdos e de qualidade.

    E se um site de qualidade comprar links, esse mesmo site arrisca-se na mesma a ter penalização? pergunto isto porque tem nichos onde existe tanta concorrência que para se para ganhar bons backlinks é preciso mesmo comprar links para esse site de qualidade ter capacidade para concorrer com todos os outros sites (a maior parte deles mais fracos) que estão nos primeiros lugares e primeiras páginas das buscas que todos eles fazem o mesmo (compram ou já compraram links).

    Resumindo, se algum editor da google vir que um site de qualidade que comprou um link num directorio ou em algum site (mesmo esses sites terem controlo de qualidade), faria na mesma penalização ou não? se sim penalização a quem vendeu ou aos dois?

    Outra dúvida que tenho, sei que o google dá muito valor ao dmoz (visto estar associado a ele directory.google.com), mas tenho visto que lá existe alguma corrupção, de editores a porem os seus proprios sites lá com bastante poluição de publicidade e quando outros webmasters tentam adicionar la outros sites mais clean’s e com valor, têm o azar de nao serem aceites por esses mesmos editores, o google não estará a dar valor a mais ao dmoz visto existir lá alguma manipulação de submissões nesse directorio do proprio editor? Tenho visto la sites que não mereciam estar listados e estão listados por pertencerem aos proprios editores.

    Gostava de ouvir a opinião pessoal do Pedro sobre estes dois assuntos delicados.

    Obrigado

  3. Excelente entrevista. Sem medo das perguntas mais polémicas, muito bom :D

  4. Dav7 says : Reply

    atenção ao que escrevem aqui, olhem que o Pedro vai segui-vos até ao vosso site… :P

    Estou a brincar, mas acompanho sempre estas entrevistas de quem trabalha na Google, como o Pedro, tentando sempre ler os segredos nas entrelinhas…mas não é fácil!

  5. Ótima entrevista!

    Pedro Dias entende muito do assunto tratado.

    Inclusive as perguntas do Netfast são bastante interessantes.

  6. Olá WM!
    Muito boa a entrevista, gostei de saber que brasileiros tem mais sites que portugueses, mas gostaria de saber do Pedro, se por acaso ele for responder a nossas perguntas, se o Brasil também está no ‘caminho certo’ em relação a oportunidades de negócios no meio online, e se sim, se algum dia conseguirá chegar ao nível de países como os citados.
    Só por curiosidade.
    Obrigada
    Sandra

  7. Alexandre says : Reply

    Muito boa entrevista….
    talvez seja desta que eu consigo resolver o meu problema de contas google.

    Já segui aí alguns links para ver se comunico com o todo-poderoso!

  8. Grande entrevista… Gostei de ler

  9. Magdiel says : Reply

    Adorei a entrevista. Obrigado!

  10. [...] Pedro Dias escreveu recentemente um artigo no seu blog onde refere que o questionam muitas vezes sobre sites [...]

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